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Embaixador nega que divergências com os EUA atrapalhem negociações sobre algodão e etanol

Cauteloso, o novo o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, negou que as divergências políticas e econômicas entre o Brasil e os Estados Unidos representem entraves nas relações entre os dois países. Segundo ele, o esforço é para evitar que as diferenças predominem sobre as convergências. Para o diplomata, será possível evitar, por exemplo, a retaliação brasileira aos Estados Unidos em decorrência dos subsídios que os norte-americanos impuseram ao algodão brasileiro.

"É fácil encontrar pontos de divergências. Mas o trabalho da diplomacia é encontrar nos pontos de divergências meios para que não afetem as convergências", afirmou Shannon, na sua primeira entrevista coletiva realizada em Brasília, realizada no último dia 4, na residência oficial da Embaixada dos Estados Unidos.

Atualmente o governo do Brasil ameaça retaliar os Estados Unidos, com autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC), em decorrência dos subsídios cobrados pelos norte-americanos ao algodão brasileiro. Desde 2002. os dois países estão em disputa.

Uma das possibilidades, que foi analisada pelos negociadores brasileiros, era de suspender as patentes de alguns medicamentos durante um certo período de tempo. Mas o governo afastou a alternativa para evitar prejuízos à indústria nacional que compra o algodão dos Estados Unidos.

De acordo com Shannon, as negociações estão em curso e visam a evitar a retaliação. "Retaliações geram contrarretaliações e isso não é bom", disse ele. "Os governos dos dois países já disseram que querem buscar uma solução."

Segundo o embaixador, o governo norte-americano também quer ampliar as relações com o Brasil referentes à compra de etanol. Mas ele não entrou em detalhes. Porém, o diplomata ressaltou que o objetivo do governo do presidente Barack Obama inclui outras prioridades, como incentivos para as realizações da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016.

"Temos muito interesse em colaborar com o Brasil tanto para a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Vamos trabalhar para que o Brasil tenha bastante êxito", disse Shannon. Ele lembrou que ainda este semestre a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, virá ao Brasil para estreitar ainda mais relações.

Emocionado, Shannon disse que era com prazer que retornava ao Brasil onde começou a carreira diplomática – de 1989 a 1992 – e também porque foi em Brasília que nasceu seu filho caçula, John. "O Brasil ocupa um lugar no meu coração. É uma honra estar representando os Estados Unidos no Brasil", afirmou. "É um prazer enorme estar aqui", disse o diplomata, em um português fluente.

RELAÇÃO SERÁ AMPLIADA

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter uma relação ampliada com seu país.

O norte-americano elogiou a atuação brasileira no Haiti e também na abertura de diálogo com o Irã. Segundo ele, a tendência é de fortalecer e aprofundar as relações Brasil e Estados Unidos.

"É uma relação global. Vamos trabalhar muito mais. É uma relação entre dois governos, de sociedades democráticas, simples e abertas", afirmou Shannon na sua primeira entrevista coletiva em Brasília.

No mesmo dia, o embaixador conversou rapidamente com Lula ao entregar suas credenciais. Para o norte-americano, o governo do Brasil desempenhou papel ímpar e de destaque nos esforços para reconstrução do Haiti depois do terremo do dia 12. "O Brasil desempenha um papel de liderança no Haiti. Quero expressar meus sentimentos aos brasileiros que morreram. À doutora Zilda Arns, ao senhor Luiz Carlos da Costa [representante brasileiro nas Nações Unidas] e aos militares".

Shannon minimizou os efeitos da demora entre sua indicação e a aprovação de seu nome, período que levou oito meses, ao ser perguntado sobre o assunto. "A relação Brasil-Estados Unidos é demasiadamente importante pra ser afetada pela ausência do embaixador. Mas a ausência não ajudou."

O novo embaixador deve ser peça-chave dentro da política norte-americana de aproximação do Brasil para ampliar as relações dos Estados Unidos com a América Latina. Até meados do segundo semestre, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá vir ao Brasil já como parte dessa estratégia.

ETANOL E SUCO DE LARANJA

Na ocasião, deve ser assinado um acordo de cooperação comercial entre norte-americanos e brasileiros. O acordo deve incluir temas controvertidos como etanol e suco de laranja. Antes da visita de Obama, a secretária de Estado, Hillary Clinton, virá a Brasília no primeiro semestre.

Obama aguardava apenas oficializar o nome do novo embaixador para confirmar a visita a Brasília.

FONTE

Agência Brasil
Renata Giraldi - Repórter
Aécio Amado - Edição


Links referenciados

Agência Brasil
www.agenciabrasil.gov.br

Organização Mundial do Comércio
www.wto.org


© 2010 Agrosoft Brasil     Esta página foi gerada no dia 30/07/2010
Publicado originalmente em www.agrosoft.org.br/agropag/213270.htm